domingo, 11 de abril de 2010

Economia Solidária indicou 19 delegados do Piemonte Norte à Conferência Estadual

A Iª Conferência de Economia Popular e Solidária ocorrida em Senhor do Bonfim a 8 e 9 de abril no Centro Diocesano teve a participação de 110 entidades procedentes de 11 municípios: os nove do Território do Piemonte Norte do Itapicuru e dois do Território do Sisal (Itiúba e Queimadas). Organizados em grupos de debate, pequenos empreendedores experientes no trabalho coletivo, chegaram ao final do balanço com o relatório das ações, as prioridades na região e elegeram os delegados à Conferência de Economia Solidária Estadual, a ocorrer no início de maio, em Salvador.

Economia alternativa - Temas como os meios de organizar cooperativas e associações ou formas de plantar, fabricar e produzir solidariamente em coletivos foram centrais. Mas os blocos de assuntos foram tratados sob visão estratégica de desenvolvimento da socialização do trabalho, da propriedade coletiva, da aquisição de conhecimentos, do avanço e do estabelecimento de prioridades do movimento.

Tornar essa forma alternativa de economia em políticas públicas é reiteradamente um dos desafios. Por isso, o contexto socioeconômico e cultural da economia solidária foi analisado do ponto de vista internacional, nacional e local, e formas de ajuda mútua e princípios da sustentabilidade do modelo de desenvolvimento social foram propostas discutidas. Precisamos de um Fundo Nacional de Economia Solidária, “tal como existe o Fundo de Combate à Pobreza”, reivindicou Rita de Cássia Pereira, uma das coordenadoras.

Compromisso – Após a abertura, o facilitador Vasco Abuzzolli abordou a programação, metodologia e interação com a plenária, que fez um balanço da economia solidária na perspectiva de atuação nos próximos quatro anos. Único prefeito presente, Paulo Machado teceu informações e estímulos à plenária da Conferência, pelo desenvolvimento da economia popular solidária. “Não sou espectador”, disse. “Nossa gestão tem compromisso programático e ação diuturna com iniciativas que geram emprego e renda”.

Definição – Sua fala foi vista como “importantíssima” pela superintendente da Economia Solidária da Setre (Secretaria do Trabalho, Esporte, Emprego e Renda) Ludmila Meira, que também integra a Comissão Organizadora da Conferência. Ela achou positivo o prefeito “engajar o Poder Público municipal na economia solidária e tomar a defesa dos empreendedores populares dos derivados do leite e do bode”. A representante do governo Wagner definiu a proposta de desenvolvimento local e territorial, a partir dos quatro pilares da economia solidária: deve ser ambientalmente correta, economicamente viável, culturalmente aceita e socialmente justa. Para ela, “é assim que os empreendimentos populares solidários tomam o formato de associações, de cooperativas, de coletivos que trabalham de forma autogestionária”.

Mão na massa - Domingos Santos, 38, casado, quatro filhos, há três anos produz geléia de umbu, manga e goiaba e comercializa para a Conab. Há 3 anos ele e mais oito formam uma associação de pequenos produtores na Fazenda Genipapo, a 11 km de Jaguarari. “A gente faz 1500 quilos por mês, mas agora a Prefeitura também vai comprar”. Mudou sua vida, Domingos? “Mudou a vida do grupo, a gente faz mutirão nas roças do grupo e nos medicamentos e vamos pra 15 associados”.

Gustavo Ribeiro Castro, 26, pertence à Pastmelcultura, uma associação de 10 pessoas que cultiva abelha de ferrão. O grupo coleta 4.000 kg de mel por mês no Caldeirão do Mulato, interior do município de Antonio Gonçalves. “Temos seis anos na economia solidária, e estamos andando com caprino e ovino também”. Qual é o mercado de compra? “É Antônio Gonçalves e Bonfim”. Dá trabalho? “Dá, mas trabalhando como cooperativa rende mais e recompensa”. Por que você veio? “A Pastmel me escolheu”. O que você leva do Encontro? Vou dividir a experiência daqui lá com os meus parceiros”.

Os conferencistas se originam de três segmentos: 1- da Economia Solidária e seus empreendimentos, cooperativas e grupos de pequenos produtores diversos; 2- da Sociedade Civil (ongs, movimentos culturais, etc.); 3- das esferas do Poder Público (secretarias, ministérios, autarquias, prefeituras etc.). Dos 26 territórios de identidade da Bahia, 23 estão realizando conferência e destes o Piemonte Norte do Itapicuru vem servindo como referência para o estado. O motivo e que, em Senhor do Bonfim há o Greps – Grupo Regional de Economia Popular e Solidária –, fundado há oito anos e com forte poder de articulação.

Delegados do território - Eleitos para representar o TPNI na Conferência Estadual de 3, 4, e 5 de maio próximo, em Salvador. Sociedade civil: Yon Fontes (Coopervac), Jaguarari; Maria Aclécia (Apac), Bonfim; Juvaldino Nascimento (Sintraf,) Campo Formoso; Farnézio Braz (Cactus), Bonfim; Lidiane Duarte (STR), Bonfim; Gustavo Ribeiro (Doce Mel), Antônio Gonçalves; José Ferreira (Ass. Apicultores), Jaguarari; Iraci da Silva (Ass. Produtores Bairro da Lage), Pindobaçu; Maria Gomes (Adesc), Pindobaçu; Margarida Cardoso (Ass. Comunitária de Cazumba), Bonfim; José Carlos Pereira (Ass. Quilombolas Comunidade da Fumaça), Pindobaçu; Francisco de Assis (Ass. Apicultores), Pindobaçu; Edjane Lírio (Grupo Doceiras de Varzinha), Campo Formoso; Francisca Bonfim (Artesanato de palha), Jaguarari; Giosvaldo de Jesus (Ass. Produt. Frutas in natura de Várzea Comprida), Queimadas. Poder público: Cristiane Nascimento (Sec. da Fazenda), Jaguarari; Rosângela Brasileiro (Sec. de Agricultura) Ponto Novo; Valdemir Muricy (Sec. de Agricultura), Pindobaçu; Paulo Morgado (Sec. de Agricultura), Jaguarari.


Valeu – Presentes: Setre, Ingá, Irpaa, Fórum Baiano de Economia Solidária, Greps, Seplan, CEB de Campo Formoso, Apac; secretários municipais: Raimundo Freitas (Bonfim), Josan Cláudio Dias (C. Formoso), Valdemir Murucy (Pindobaçu), Cristiano Nascimento (Jaguarari), edis Jurandir Meneses (A. Gonçalves) e Antônio Xavier (Jaguararí), além de técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos etc. Assessor do Território do Piemonte, Yon Fontes concluiu que a Conferência cumpriu os objetivos imediatos e “valeu pela ampliação e aprofundamento de conhecimentos sobre as necessidades organizativas na região”.



Governo Cuidando da Nossa Gente
Assessoria de Comunicação Social

INCRA ABRE CONCURSO PARA 550 VAGAS

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou edital de concurso público com 550 vagas e remuneração de R$ 2.254,64 para cargos de nível médio e R$ 3.713,74 para nível superior. De acordo com o edital, foram reservadas 14 vagas de nível superior para a Bahia.
As inscrições ao concurso têm início no próximo dia 16 e serão encerradas em seis de maio. A taxa varia de R$ 30,00 (nível médio) a R$ 60,00 e R$ 50,00 (superior). Candidatos comprovadamente de baixa renda podem solicitar inscrição gratuita.
Para a Bahia, o Incra destinou 14 vagas, sendo 2 para contabilidade, 4 para a área de antropologia, 4 para engenharia civil e 4 para enganharia de agrimensura ou cartográfica. As inscrições serão feitas só pela internet, no site www.institutocetro.org.br.