sexta-feira, 25 de junho de 2010

ENTREVISTA com Bel “O carismático” da Calcinha Preta

Depois de duas horas de palco, já às 3 da matina de hoje, Bel conversou e até fez confidências. “Eu sou Bel, não sou muito fã do meu nome”, mas acabou dizendo: “Bernardo Cavalcante Oliveira Amorim”. “Não sou de dizer a idade” – e terminou confessando: “30 anos”. Aí, já era. Nadamos no riso e o vocalista mergulhou na descontração. A galera do espaço privativo (inclusive os da Calcinha Preta) aumentou. Saltou de três, quatro pra uns 35 a 40 espectadores. Declarou amor a Bonfim, deu um show espontâneo de voz, de garganta e a entrevista debaixo do 2° palco do Parque da Cidade virou papo de roda de fogueira:
Ascom – Ok, Bel? Comecemos então pelo seu nome de batismo.
Bel – O Brasil me chama de Bel e eu adorei esse nome. No início eu não gostava muito, “ah é nome de mulher”, me diziam. Mas já tem 10 anos que adotei esse nome e o Brasil está familiarizado com ele... Conversou... e informou.
Ascom – “Bel” é um nome artístico curto e simpático, certamente reforça o carisma já construído, que gera um frenezi quando você entra em cena.
Bel – É possível. Isso vem do povo. Sou uma pessoa que dá muito valor ao povo – que é o responsável pelo meu sucesso e de qualquer banda. Sou muito agradecido ao povo da Bahia, que sempre me recebeu de braços abertos, especialmente esse pessoal daqui de Bonfim. Agora mesmo estou muito feliz com o meu amigo Paulo (Machado), pelo grande administrador que é. Pelo que vejo, ele tem uma Comissão Organizadora de sucesso. Cada ano que passa o São João... Está mais do que provado que o nosso São João, o São João de Bonfim, é o melhor da Bahia.
Ascom – Gostei do “nosso São João”!
Bel – A gente vê aqui, vê nos hotéis, na estrada, a juventude de Salvador e de outros cantos do país vindo curtir em massa o forró de Bonfim.
Ascom – De origem e raiz a banda é sergipana, ou não é?
Bel – A banda é sergipana. Eu moro em Sergipe. Mas o baixinho (ele) é alagoano. Sou de Maceió, que é vizinho de Sergipe, e isso foi a maior parte de eu fazer parte dessa banda. Mas sempre que bate a saudade, já sabe: pego meu carro e vou pra Maceió ver meus pais. Lá é muito bom.
Ascom – No início do show, você mencionou algo parecido com música nova, recém-lançada ou que vai dar em sucesso. Tem algo novo pintando no lançamento da Calcinha?
Bel – Hoje bem antes do show eu pedi permissão a Paulo Machado prá lançar aqui o novo CD, lançado agorinha em todo o Brasil, (“intitulado CD nova gente 2”). E a resposta de Paulo foi a esperada: “Com todo prazer”. E aqui no show o público, pra minha surpresa, já sabia algumas músicas e cantou comigo. Foi lindo!
Ascom – Cite as músicas que mais agradam seu público Brasil afora?
Bel – Ah!... São muitas. A Calcinha Preta é uma banda privilegiada. São 22 CDs de carreira e cada CD tem uma duas músicas que estouram e não podem faltar nos show. Às vezes o público fica até na bronca: “Ah, você não cantou aquela música, nem aquela...”. Mas é muita música estourada nas paradas. Deus foi muito bondoso conosco: Quer ouvir algumas? Perguntou e foi logo cantando: “Se você inda quer morar comigo... Ai nem parou mais, disse “veja outra” rapidamente e soltou o eco: “Vem de pressa e surgindo... (nessa ele abriu o eco, cantando em agudo total). Interrompeu-se e avisou: “e tem essa” mudou o tom para gei-grave e cantarolou: “Juruô papapirô...”. Silêncio total no show particular debaixo do sereno e ele so murmurou “e tem essa”: “Como é que você foi embora / Sem dizer pelo menos adeus!...”.

Penetras – Alguém bateu palmas e ele voltou à conversa:
Bel – E por ai vai acontecendo. Cada dia que passa é um sucesso atrás de outro e a gente ta muito feliz de ta voltando à Bahia, à Bonfim principalmente, porque a gente tem um caso de amor com essa terra
Ascom – Bel, depois dessa exuberante declaração de amor, o que mais podemos ouvir de você nessa despedida?
Bel – Esse público de Senhor do Bonfim é como diz o poeta, tem Deus no coração e o diabo nos quadris. Esse show de abertura vai ficar para a história. O bonfinense curtiu, o turista dançou, Paulo Machado dançou, cantou, fez coro... É por isso que a gente da Calcinha fala o tempo todo que isso é que é terra de São João.

Zelito Miranda balançou o Parque: “Não deveria ter fim!”

A entrada da Banda Zelito Miranda, como uma das atrações da abertura do circuito do Parque levantou ainda mais o astral da do São João na Capital baiana do forró. Seu rojão musical de batida apressada, como se fosse sempre um xaxado sacudido e gostoso não deixou o público sair do embalo. Em grande quantidade, o repertório da banda é próprio. Baiano, serrinhense, sertanejo nato, Zelito é parceiro do prefeito Paulo Machado na composição do hino oficial de Senhor do Bonfim, o que evidencia seu valor também como compositor.
Hino Na parte final, os numerosos componentes (29 ao todo) de sua banda se utilizaram de todos os recursos instrumentais e visuais disponíveis. Colocou no comando do palco o verdadeiro baião puxado a fole, sanfona, zabumba e triângulo no pódio, arranjos de cordas e bateria como coadjuvantes, e o próprio Zelito na levada de voz, adequada à sonoridade que o ouvido popular gosta de ouvir. O desfile da tradição junina passou por Jakson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, “Forró do Mané Vito”, Asa Branca, Raso da Catarina, irreverências nordestinas e por poemas musicais do próprio autor. Muito aplaudida, a banda sofreu apelo para continuar o show que “não deveria ter fim”. “Tenho contrato com tempo marcado, senão a gente ia até o dia amanhecer”, lamentou Zelito 1h00 hora da manhã de ontem, na despedida.

Parque da Cidade: forró, cultura e tradição

A abertura do circuito do São João no Parque da Cidade condisse com a tradição bonfinense. Os primeiros tons vieram da sanfona, zabumba e triângulo de Paulinho Nordestino – ele na voz – com teclado e bateria fazendo o complemento. Das 19h00 da terça-feira (22) aos últimos acordes igualmente na sanfona do competentíssimo Zé Bonfim e sua banda de forró Zé Bonfim e sua gente, até as 5h00 da manhã de ontem, a arena do Parque (iluminadíssimo) ficou densa de forrozeiros. A conhecida Alvorada (dispersão festiva) saiu em direção do centro da, dia 23 clareado por ainda invisíveis raios solares.
Felicidade - A coroação de Claudiana Macedo, após ter derrotado todas as concorrentes nas etapas do circuito dos bairros, foi um momento marcante para a tradição de eleger a beleza feminina junina da terra. Claudiana, uma manicure de 23 anos de idade, não tem emprego, trabalha a domicílio, é de família humilde do bairro da Olaria onde de nasceu. Depois de coroada “Rainha do São João 2010”, emocionou-se até às lágrimas”. Ninguém imagina como lutei por essa vitória. Corri atrás e fui buscar patrocinadores. Uma casa de modas me deu vestido, um salão de beleza é quem vem me maquiando e ainda consegui um curso de, dança. Fiz muito esforço e essa foi a primeira vitória de minha vida. Isso me deu disposição até para estudar, para tentar um lugar melhor no meu destino. Em 2009 fui 2° lugar, agora a rainha de 2009 (Greiciane Reis) me passou a coroa”. Você está feliz? “Não é dinheiro, mas é como se eu ganhasse na loteria”.
Identidade A palavra do prefeito Paulo Machado homenageou gente como João Baga, valores como a hospitalidade, o espírito de manutenção da identidade cultural de Bonfim e a tradição da brincadeira inocente do São João. A alta técnica apresentada pelo Balé da Sacramentinas, em aplaudida coreografia junino/nordestina, só fez confirmar a palavra do prefeito.
Depois do desempenho da Banda Calcinha Preta, comumente consagrador em Bonfim, houve a surpresa positiva para a massa forrozeira: Zé Bonfim e sua gente voltou a manifestar a sanfona jocosa até findar o primeiro dia de “Arraiá da Tapera” no grande circuito do Parque da Cidade.